3 Abril 2026

A Nova Era da NASCAR: A Glória na Daytona 500 e a Revolução nas Pistas

Diferente de outras categorias esportivas, a NASCAR abre sua temporada em grande estilo com o maior evento do ano. A Daytona 500, carinhosamente chamada de “A Grande Corrida Americana”, é um verdadeiro espetáculo. Mais de 101 mil torcedores lotam as arquibancadas do Daytona International Speedway para ver os caças Thunderbirds da Força Aérea dos EUA rasgarem o céu antes de os motores roncarem na emblemática pista de 2,5 milhas. A edição deste ano entregou absolutamente toda a emoção que se esperava. Na última volta, em meio a acidentes acontecendo tanto na frente quanto atrás do Toyota nº 45, Tyler Reddick ultrapassou o campeão de 2020 da Cup Series, Chase Elliott, logo na saída da Curva 4. O movimento garantiu a primeira vitória de Reddick na prova e levou o cobiçado troféu Harley J. Earl para a 23XI Racing, equipe que tem como coproprietário a lenda do basquete Michael Jordan. Todo esse nível de adrenalina ajuda a explicar por que a prova está concorrendo ao título de Melhor Corrida de Automobilismo na votação do USA Today. O evento disputa a preferência do público com outras 20 etapas globais, incluindo a tradicional etapa de Watkins Glen e provas da IMSA como a Petit Le Mans e a Rolex 24. A votação permite um voto por dia até 27 de abril, e os vencedores serão anunciados em 6 de maio.

A Pressão Sob as Lentes do Streaming Toda a imprevisibilidade de Daytona ganha agora os holofotes do streaming. O documentário “Full Speed: The Daytona 500” estreia nesta quinta-feira com exclusividade no Prime Video, mergulhando na jornada frenética que vai desde a preparação nas Speedweeks até aquela insana volta final. A obra retrata a corrida como um microcosmo perfeito da própria NASCAR. Favoritismos costumam virar fumaça num piscar de olhos, e corridas que parecem sob controle desandam em questão de segundos. O filme acompanha quatro pilotos em momentos bem distintos de suas carreiras. De um lado, vemos a busca obstinada de Kyle Busch, um veterano bicampeão que já venceu de tudo na categoria, mas que ainda persegue o troféu de Daytona ciente de que suas oportunidades estão ficando cada vez mais raras. Do outro, o garoto de 19 anos Connor Zilisch tenta provar a si mesmo que pertence àquele lugar na sua estreia no maior palco do esporte. A produção explora também o drama de Brad Keselowski, que lida com a pesada cobrança dupla de ser piloto e dono de equipe, mostrando os bastidores da sua árdua recuperação física após uma lesão sofrida numa viagem de esqui.

A Nova Rota para o Sucesso nas Pistas Enquanto veteranos e novatos disputam espaço, a própria estrutura de formação de pilotos da NASCAR está mudando, abrindo portas para trajetórias pouco convencionais. Enquanto a esmagadora maioria dos profissionais acelera karts antes mesmo de aprender a ler, Rajah Caruth pegou uma rota completamente diferente. Nascido em Atlanta e criado em Washington, D.C., ele só assumiu o volante de um carro de corrida real aos 17 anos. Hoje, como um dos grandes destaques da Xfinity Series, Caruth prova que há mais de um tipo de combustível para alavancar uma carreira no automobilismo. Tudo começou com o cinema. Como muitas crianças no início dos anos 2000, ele ficou fascinado pelo filme Carros, da Disney-Pixar. Só que a brincadeira logo virou uma obsessão pelas questões técnicas da corrida. Apesar de ser um torcedor assíduo do Washington Wizards no basquete e do D.C. United no futebol durante a juventude, seu coração pertencia à velocidade. “Eu tinha um apreço, um amor tão profundo por este esporte”, contou ele em uma entrevista exclusiva para a série Next Up, da BET. Aos 12 anos, ele assistiu à sua primeira corrida ao vivo no Richmond Raceway. A experiência foi tão arrebatadora — a vibração intensa, o cheiro forte de combustível e borracha — que ele tatuou a data no peito. Era algo simplesmente impossível de ser sentido através da tela de uma TV.

O Peso da Educação e a Busca Pela Excelência Sem os milhões de dólares que geralmente bancam os jovens pilotos nas categorias de base, Caruth recorreu à tecnologia. Ele afiou suas habilidades nos simuladores, construindo uma base de pilotagem tão sólida que acabou chamando a atenção do programa Drive for Diversity da NASCAR, uma iniciativa criada justamente para atrair novos talentos e diversificar o esporte. Quando finalmente fez a transição para os carros físicos, já no último ano do ensino médio, ele usou sua maturidade de vida para compensar a falta de quilometragem nas pistas em relação aos rivais. E então chegou a hora da faculdade. Sendo filho de educadores, seguir com o ensino superior não era algo negociável na sua casa, independentemente do sonho de correr. A escolha foi natural: a Winston-Salem State University, uma prestigiada universidade historicamente negra (HBCU) na Carolina do Norte, famosa por seu excelente programa de gestão de esportes a motor. Conciliar a rotina de um jovem universitário com as exigências duras de um atleta profissional rendeu boas dores de cabeça no começo. Ele admite abertamente que chegou a ser reprovado e a trancar matérias logo no primeiro semestre enquanto tentava estabelecer limites na própria rotina. Foram exatamente esses tropeços iniciais que forjaram a mentalidade focada em resultados que o guia pelas pistas hoje em dia.