4 Março 2026

A Ofensiva Elétrica da Volkswagen: Do Retorno da Kombi nos EUA à Reinvenção na China

A icônica Kombi está de volta, mas agora totalmente elétrica e pronta para desembarcar nas estradas americanas. Batizada de ID. Buzz 2025, a minivan tem lançamento previsto para o fim deste ano nos Estados Unidos e promete reviver a nostalgia com muita tecnologia embarcada. A Volkswagen acabou de soltar novos detalhes sobre a cabine, o pacote de baterias e, claro, os preços e versões.

Equipada com uma bateria de 91 kWh, a autonomia do modelo impressiona, embora varie um pouco dependendo da tração escolhida. Quem optar pelo modelo com tração traseira (RWD) vai conseguir rodar cerca de 376 km com uma única carga. Já a versão com tração nas quatro rodas, a 4Motion AWD, entrega um alcance ligeiramente menor, estimado em 371 km.

Os consumidores terão três opções distintas na hora da compra. A porta de entrada é a versão Pro S, que sai por US$ 59.995 (aproximadamente R$ 330.152 na cotação usada pela marca). Ela vem com tração nas rodas traseiras, leva confortavelmente até sete passageiros e oferece três cores para o exterior e duas para o interior. Se a ideia é ter um pouco mais de luxo, a Pro S Plus é o caminho natural. Custando US$ 63.495 (cerca de R$ 349.285) no modelo RWD ou US$ 67.995 (R$ 374.040) no AWD, essa configuração traz mimos tecnológicos como head-up display, sistema de câmeras para facilitar o estacionamento e um som potente com 14 alto-falantes.

Para celebrar a chegada do veículo ao mercado, a montadora também preparou a “1ª Edição”, um modelo exclusivo de lançamento. Ele usa o acabamento da Pro S como base, mas ganha um charme extra com rodas de 20 polegadas e um teto de vidro panorâmico eletrocrômico – um opcional muito interessante que também está disponível para quem compra a versão Plus. O preço dessa brincadeira? US$ 65.495 (R$ 360.287) com tração traseira e US$ 69.995 (R$ 385.042) com tração integral.

O Desafio Chinês e a Busca pela Liderança Enquanto os americanos se preparam para curtir a nova Kombi, do outro lado do mundo a Volkswagen trava uma batalha intensa e silenciosa para recuperar seu espaço. Na China, o maior mercado automotivo do planeta, a marca já foi líder absoluta por anos a fio. O cenário, no entanto, mudou drasticamente. As vendas locais despencaram de 4,2 milhões de veículos em 2018 para cerca de 2,7 milhões atualmente. Para piorar a situação, no concorrido e lucrativo segmento de carros elétricos, a gigante alemã amarga hoje apenas a 13ª posição.

A notícia de que a empresa voltou a liderar o mercado geral chinês em janeiro é vista nos bastidores como algo meramente pontual. O volume ainda é sustentado pela velha tecnologia dos motores a combustão. A verdadeira aposta para reverter esse jogo está na adoção massiva dos veículos 100% elétricos. Quem comanda essa difícil missão de resgate é Ralf Brandstätter, enviado à China em meados de 2022 como CEO da marca para tentar salvar os negócios.

Inovação Local e Parcerias Estratégicas Quando Brandstätter assumiu o posto, o diagnóstico foi duro: os carros elétricos da VW pareciam caros e um tanto “antiquados” perto da tecnologia de ponta que as marcas locais já colocavam nas ruas. A solução encontrada para sair desse aperto foi radicalizar. A empresa decidiu transferir boa parte da sua pesquisa e produção diretamente para o território chinês. Com um orçamento bilionário, a Volkswagen ergueu em Hefei o seu maior centro de inovação e desenvolvimento fora da Alemanha.

Foi através de parcerias com startups locais que a montadora conseguiu, de fato, acelerar o passo. A Gotion, empresa na qual a VW comprou participação, hoje ajuda no desenvolvimento e na fabricação das baterias. Já os avançados sistemas de assistência à direção nascem de uma colaboração estreita com a Horizon Robotics. Essa mesma união com a Horizon ainda vai render um chip próprio da Volks, desenhado sob medida para rodar o software da marca. A expectativa é que o componente chegue aos carros a partir de 2029, cortando os custos de fabricação pela metade.

A aliança com a Xpeng é outro capítulo fundamental dessa história. As duas companhias estão criando juntas uma arquitetura veicular moderníssima, que substitui várias pequenas unidades de controle por um único e potente computador central. A Volks aproveitou um momento de crise financeira na Xpeng para comprar ações e dar suporte na aquisição de peças. Em contrapartida, os alemães ganharam acesso ao código de software e a todo o conhecimento técnico dos engenheiros chineses.

O Que Vem Por Aí Todo esse esforço de “fazer na China para a China” reduziu absurdamente os custos e o tempo de criação de novos veículos. Os primeiros frutos dessa ofensiva começam a dar as caras nas ruas ainda este ano. O pontapé inicial fica por conta da limusine ID. Unyx 07, cuja produção já foi iniciada na província de Anhui no fim do ano passado. Ela é apenas o primeiro lançamento de uma longa fila de modelos desenvolvidos localmente que estão a caminho. Agora, resta ao mercado observar se a ousada estratégia da equipe de Brandstätter será o suficiente para colocar a Volkswagen de volta no topo da cadeia alimentar automotiva chinesa.