4 Fevereiro 2026

O impacto do Apple Vision Pro e a reconfiguração do mercado de Realidade Virtual

Apesar de toda a sofisticação, que inclui telas de alta resolução, sensores avançados e o bloqueio do mundo real em favor de conteúdos simulados, o preço elevado do Vision Pro naturalmente impulsionou a busca por alternativas mais acessíveis e já consolidadas no mercado brasileiro. Tim Cook, CEO da Apple, indicou a expansão para outros países, mas enquanto isso não ocorre de forma ampla, o consumidor volta seus olhos para opções que entregam experiências competentes sem custar o preço de um carro popular.

Alternativas consolidadas no mercado

Entre as opções mais robustas está a linha da Meta. O Oculus Quest 2 apresenta-se como um sistema “tudo-em-um” que dispensa PCs ou consoles, operando com a plataforma Qualcomm Snapdragon XR2 e 6 GB de RAM. Com uma resolução de 1832 x 1920 pixels por olho, ele atende bem desde jogos e fitness até reuniões sociais, permitindo ainda a conexão com computadores via cabo para experiências mais pesadas.

A evolução natural desse modelo, o Oculus Quest 3 Advanced, dá um passo além ao integrar realidade mista. Utilizando câmeras RGB duplas, ele mescla o ambiente real com o virtual, oferecendo uma resolução 4K+ e bateria com duração média de 2,2 horas. É um dispositivo ideal para iniciantes que se sentem desconfortáveis ao perder totalmente o contato visual com o ambiente físico, permitindo interações como lutar contra adversários virtuais na própria sala de estar.

Para os entusiastas de consoles, o PlayStation VR2 surge como a alternativa dedicada ao ecossistema da Sony. Exclusivo para o PS5 e conectado via USB-C, o headset oferece campo de visão de 110 graus, rastreamento ocular e painéis HDR com resolução de 2000 x 2040 por olho. A tecnologia de resposta tátil e áudio 3D aprofunda a imersão, embora seu preço médio gire em torno de R$ 4.350, exigindo o console como base. Já na ponta mais econômica, o Warrior Multilaser JS080 funciona como um suporte para smartphones, oferecendo uma experiência de entrada com imersão 360°. Embora seja uma opção de baixo custo, usuários relatam dificuldades ocasionais no ajuste de foco e das lentes, sendo necessário verificar a compatibilidade com o celular.

A incerteza sobre a Meta e o surgimento de novos players

Curiosamente, enquanto a busca por hardware acessível continua, o cenário corporativo por trás desses dispositivos enfrenta turbulências. A Meta, fabricante da popular linha Quest, tem dado sinais contraditórios sobre seu compromisso futuro com a VR. Ações recentes, como demissões significativas na divisão Reality Labs e o fechamento de estúdios proprietários de jogos em VR, sugerem que a tecnologia pode estar perdendo prioridade dentro da empresa. A ausência de destaque para a realidade virtual no Meta Connect 2025 e a falta de novos hardwares Quest naquele ano reforçaram o pessimismo de analistas, levando a especulações de que o setor estaria em declínio.

Contudo, essa previsão sombria ignora um contraponto vital: o ecossistema de realidade virtual pode não precisar da Meta para sobreviver. Uma nova safra de hardware está surgindo para preencher lacunas e inovar onde as gigantes estagnaram. Um exemplo promissor é o headset Lynx R2. Com previsão de lançamento para o verão, ele supera o campo de visão do Quest 3, oferecendo 126 graus contra 110 do concorrente. Mais importante que as especificações é a filosofia da empresa: o Lynx R2 aposta em um modelo open-source, liberando esquemas técnicos para facilitar modificações pela comunidade, algo impensável no ecossistema fechado da Meta.

O futuro focado em jogos e leveza

Outra evidência de que a inovação continua vibrante foi vista na CES 2026, com a apresentação de protótipos da Pimax, empresa sediada em Xangai. O modelo Pimax Dream Air impressionou pela leveza, pesando menos que um iPhone 17, além de entregar imagens brilhantes e nítidas. Embora seja um dispositivo com fio, o que pode não agradar a todos, ele aponta para um futuro onde o desconforto físico dos headsets pesados será coisa do passado. Focado essencialmente em jogos — que permanecem como o grande atrativo da tecnologia —, esse novo hardware demonstra que, mesmo com a oscilação de grandes players como a Meta ou os preços altos da Apple, o mercado de VR continua evoluindo por caminhos próprios e diversificados.