27 Junho 2026

Scripps Oceanography recebe US$ 15 milhões para pesquisa oceânica e glacial

Scripps Oceanography acaba de receber um financiamento histórico de US$ 15 milhões do Fundo para Ciência e Tecnologia (FFST), o maior desde que a instituição se tornou parte da UC San Diego em 1960. Nós observamos que esse investimento transformará três áreas críticas da pesquisa marinha: o monitoramento de DNA ambiental e biomoléculas nos ecossistemas oceânicos, a expansão da renomada rede Argo de robôs observacionais, e principalmente, o estudo aprofundado das condições oceânicas sob a Geleira Thwaites na Antártica. De fato, essa geleira contém gelo suficiente para elevar o nível global do mar em aproximadamente dois pés se colapsar completamente. Ao longo deste artigo, exploraremos como a Scripps Institution of Oceanography utilizará esses recursos para expandir nossas capacidades observacionais em regiões oceânicas historicamente inexploradas.

Scripps Institution of Oceanography recebe financiamento histórico de US$ 15 milhões

O Fundo para Ciência e Tecnologia surge como uma fundação privada financiada pelo espólio do cofundador da Microsoft, Paul G. Allen. Lançada em 2025, a FFST estabeleceu um compromisso audacioso de investir pelo menos BRL 2.899,50 milhões ao longo de quatro anos para impulsionar ciência e tecnologia transformadoras em benefício das pessoas e do planeta.

“O Fundo para Ciência e Tecnologia foi criado para apoiar ciência transformacional na busca de respostas para algumas das questões mais complexas do planeta”, afirmou a Dra. Lynda Stuart, Presidente e CEO do Fundo. A declaração reflete a visão estratégica da fundação em abordar desafios ambientais críticos através do financiamento científico direcionado.

O reitor Pradeep K. Khosla reconheceu o impacto do investimento para a Scripps Institution of Oceanography. “A Scripps Institution of Oceanography na UC San Diego está ultrapassando fronteiras para exploração e descoberta em todo o oceano global”, declarou Khosla. Além disso, ele enfatizou que “este apoio visionário do Fundo para Ciência e Tecnologia permitirá que pesquisadores da Scripps avancem nossa compreensão do nosso planeta, o que tem implicações significativas para comunidades ao redor do mundo”.

Meenakshi Wadhwa, diretora da instituição, observou que “o oceano guarda respostas para algumas das questões mais urgentes sobre o futuro do nosso planeta, mas apenas se pudermos observá-lo”.

Três áreas prioritárias transformarão a pesquisa marinha

Os recursos distribuem-se em três frentes estratégicas de investigação oceânica. A primeira concentra-se no avanço das técnicas de DNA ambiental (eDNA), que permitem identificar espécies marinhas através de fragmentos genéticos liberados na água por células, muco ou excreções. Esta abordagem não invasiva possibilita monitoramento rápido da biodiversidade sem captura direta de organismos, detectando até espécies raras em ecossistemas de difícil acesso.

A segunda área expande a rede Deep Argo de perfiladores robóticos. Os primeiros dois protótipos Argo Deep-6000, desenvolvidos pelo Ifremer, completaram mergulhos autônomos até 6.000 metros de profundidade. Esses instrumentos medem salinidade, temperatura, oxigênio e pressão em tempo real, cobrindo aproximadamente 10% do aquecimento oceânico total que ocorre abaixo de 2.000 metros.

A terceira prioridade foca nas condições oceânicas sob a Geleira Thwaites na Antártica Ocidental. Dados de satélite revelaram que correntes quentes de água marinha circulam por quilômetros abaixo do gelo ancorado, induzindo derretimento vigoroso. A geleira já responde por 4% da elevação anual do nível do mar e contém volume suficiente para elevar os oceanos em 65 a 70 centímetros caso entre em colapso total.

Por que essa pesquisa é crucial para o futuro do planeta

As ameaças vão além do derretimento glacial isolado. A Thwaites funciona como barreira de contenção para todo o manto de gelo da Antártica Ocidental, e seu colapso poderia desencadear efeito dominó resultando em elevação total de até três metros no nível do mar. Análises da Nasa identificaram 293 cidades portuárias globalmente vulneráveis, incluindo Rio de Janeiro, Recife e Belém no Brasil. Projeções indicam que um quinto de Bangladesh ficará submerso, enquanto ilhas do Pacífico podem desaparecer completamente[153].

Igualmente crítico, os microrganismos marinhos produzem metade do oxigênio terrestre através da fotossíntese e absorvem mais dióxido de carbono que todas as florestas combinadas. Alterações no microbioma oceânico comprometem ciclos biogeoquímicos essenciais e a base das cadeias alimentares marinhas.

As águas profundas da Antártica aqueceram quatro vezes mais rápido que a média oceânica global, com volume das águas frias do fundo reduzido em mais de 20% nas últimas três décadas. Os oceanos absorveram mais de 90% do excesso de calor mundial desde 1970, mas essa capacidade não é infinita. O aquecimento já penetra até 4.000 metros de profundidade, alterando gradientes térmicos e circulação termoalina que regulam o clima planetário.

Conclusão

Evidentemente, esse investimento histórico de US$ 15 milhões representa um ponto de virada para nossa compreensão dos oceanos. As três frentes de pesquisa da Scripps nos permitirão monitorar ecossistemas marinhos, águas profundas e o derretimento glacial com precisão sem precedentes. Essencialmente, essas descobertas definirão nossa capacidade de responder às mudanças climáticas e proteger cidades costeiras globalmente. Nós testemunhamos o oceano revelando suas respostas para o futuro do planeta.